
A moradora e comerciante Ivone Feliciano, da rua 5 de abril nº 90, centro de Camboriú, proprietária do Salão de Beleza da Ivone, diz que não aguenta mais arcar com os prejuízos causados pelas enxurradas que além de causar danos materiais, espanta a freguesia do seu salão. “Agora, quase que diariamente, quando começa a chuva que tem caído todo fim de tarde, as clientes ligam para desmarcar seus horários, porque sabem que a rua enche e que o meu salão também fica com água dentro. Outro dia eu tive cliente saindo daqui de dentro com água pelo joelho”, reclama ela.
Ivone diz que esse problema é antigo e que por mais que ela e os vizinhos reclamem na Prefeitura não tem solução. “As enchentes em Camboriú estão cada vez piores e mais freqüentes. E a Prefeitura continua aprovando loteamentos, sem a menor infraestrutura”, desabafa. “Estive na Prefeitura, mais uma vez, há alguns dias e me prometeram mandar um engenheiro para fazer um estudo no local. O engenheiro veio, ficou de retornar com a solução, mas não voltou e nem deu sequer uma satisfação”, diz ela. “To pedindo socorro. Cansei de ir na Prefeitura. Não subo mais aquelas escadas. Já enfrentei todo mundo lá dentro e nada adiantou. Cheguei ao meu limite”, complementa. “Não moro na beira do rio. O problema aqui é só de saneamento básico. Falta um engenheiro bom na Prefeitura para resolver”, desafia a cabeleireira.
Um outro morador do local, que reside na mesma rua há 40 anos, José Roque de Souza, conta que o problema sempre aconteceu, porém durante o governo do Ainor Lotério (1993/1996) foram colocadas novas tubulações e, por algum tempo, as enchentes deram uma trégua. “Mas ai o tempo foi passando e as bocas de lobo não têm manutenção, vivem entupidas, o que provoca ainda mais alagamentos. Os bueiros da rua Presidente Costa e Silva, perpendicular a 5 de abril, estão todos entupidos. Vimos que a água volta e corre para cá, aumentando o alagamento. A água do loteamento De Lá Torre, no bairro Areias, está vindo toda para cá também. Eles colocaram tubulação nova em alguns pontos, mas não foi bem feito e ai prejudicou muitos pontos da cidade”, explica Roque.
Ivone conta que ainda no governo do tucano Edinho Olegário, em uma das vezes que foi reclamar na Prefeitura, escutou do ex-prefeito que o dia que abrissem a rua São Paulo o problema teria solução. “A rua foi aberta e a situação só piorou”, critica.
Ligamos para o secretário de Saneamento Básico, Janir Miranda, mas ele não atendeu nem retornou a ligação.