Eram 3h da manhã de quinta- feira (24), quando a juíza titular da Vara Criminal de Camboriú, Camila Coelho leu a sentença da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri condenando três dos cinco acusados de participar do assassinato de Eneri Antonio de Souza, em agosto de 2008. O primeiro resultado foi de Anderson Alves de Souza, condenado a 13 anos e seis meses. Em seguida, do irmão de Anderson, Paulo Alves de Souza condenado a 14 anos; e por último saiu a condenação de Isaías Ferreira Santiago, conhecido como Pelé, condenado, em primeira fase, a 3 anos e 20 dias de multa, por ser reincidente passou automaticamente para 4 anos, sendo que na 3º fase sua sentença ficou definida com mais 50% da pena, ou seja, seis anos de reclusão e 30 dias de multa em regime fechado. Eles poderão recorrer da condenação em liberdade Após a leitura o silêncio invadiu a sala de júri, apenas dava para se ouvir choro das mulheres e familiares dos réus.
JURADOS
O júri começou com o sorteio dos sete jurados, entre eles cinco mulheres e dois homens que, durante quase 17 horas ouviram atentamente as testemunhas, os réus, os quais ficaram sentados lado a lado de frente para os jurados. Após os seus depoimentos, iniciou as teses dos advogados de defesa, da promotoria e do advogado assistente de acusação.
RÉUS
Anderson e Paulo consecutivamente se mantiveram de cabeça baixa sem sequer olhar para os jurados, já Pelé se mostrou tranqüilo e em nenhum momento baixou a cabeça. Foi o único a encarar os jurados. Foi ele o primeiro acusado a dar depoimento e a responder as perguntas da juíza.
ANDERSON RÉU CONFESSO
O ponto alto do julgamento foi o depoimento de Anderson réu confesso, em meio a lágrimas afirmou que foi ele quem atirou, mas que não tinha intenção de matar. Neste momento, o público presente pode ouvir o soluçar de Dona Laudelina de Souza, 82, mãe de Eneri. Ele afirmou que foi contratado por Wagner Correia de Souza para apedrejar a casa de Angelo, irmão de Eneri e, que recebeu o valor R$ 3 mil pelo serviço; “retificando o mesmo depoimento que possui gravado nos autos”. Em sua alegação contou que pegou sua moto e foi confirmar o endereço da residência do alvo. Em seguida voltou para casa pegou sua arma de fogo e retornou ao endereço do alvo deu dois tiros para cima e os outros foram deflagrados em direção a casa, no momento que se desequilibrou da moto. Esta foi sua alegação de ter atingido a vítima sem intenção de matar. Ele também ressaltou que seu irmão Paulo não teve nada haver com os acontecidos e, garantiu que foi sozinho até a casa de Eneri e que não teve contato com Pelé antes ou depois do crime e seu único contato foi Wagner.
MINISTÉRIO PÚBLICO
Durante o julgamento, o Ministério Público insistiu na ligação dos três acusados com o ex-prefeito Edson Olegário e Wagner Correia de Souza. O promotor André Otávio Vieira de Melo em meio a suas alegações proferiu palavras como requintes de gangster, coronel, patrão, amigo do governador. Além de contar aos jurados a história de vida de EL CAPONE, fazendo referência a quem considera o mandante do crime, Edson Olegário, ex- prefeito.
ADVOGADOS DE DEFESA
Os irmãos Anderson e Paulo foram representados pela advogada Karina Schlichting. No momento do júri outro advogado entrou em cena apresentando sua tese de defesa. Mesmo seu cliente, Anderson, sendo réu confesso o advogado bateu na tecla que sua intenção não foi de matar. Fez referências ao crucificamento de Jesus Cristo como um dos maiores júres do mundo e solicitou aos jurados para que fossem justos e não justiceiros, requereu assim uma pena menor para seu cliente. A defesa também se ateve na acusação de que os irmãos Anderson e Paulo teriam sidos torturados pela Polícia Civil para confessar o crime. A acusação de tortura também foi feita por Anderson durante seu depoimento.
Do outro lado, o advogado José Álvaro Machado defendeu Isaías Ferreira Santiago, o Pelé. Sua tese foi fundamentada na falta de prova para incriminar seu cliente. Na ocasião, ele exibiu um vídeo com trechos de depoimentos de dois empresários de Camboriú (amigos na época do ex- prefeito Edson Olégario), os quais foram interrogados se conheciam Pelé e qual era a ligação dele com Olegário, ambos afirmaram saber que Pelé fazia parte de uma empresa de vigilância e trabalhava como segurança do o ex- prefeito.
SENTENÇA
Segundo o advogado José Álvaro Machado defensor de Pelé a decisão foi contrária porque as provas dos autos apontava a absolvição. “Nosso próximo passo é apelação. Vamos recorrer ao Tribunal de Justiça”, destacou Machadinho.
Relembre o caso
Pelé foi segurança segurança de Edinho e teria contratado os irmãos Souza a mando de Wagner, para que executassem Ângelo Manoel de Souza, que vinha denunciando supostas irregularidades na Prefeitura de Camboriú. Em vez de Ângelo, o seu irmão, Eneri, acabou assassinado por engano no dia 30 de agosto de 2008.
O valor combinado pela execução, conforme acusação do MP, foi de R$ 5 mil, mas como a pessoa errada foi morta, os irmãos receberam apenas R$ 3 mil.
O crime
Em 30 de agosto de 2008, o deficiente Eneri Antônio de Souza, o Neri, foi morto com seis tiros, disparados por dois motoqueiros, em frente à sua residência. A vítima era irmão de Ângelo Manoel de Souza, que foi um dos denunciantes que resultou numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava possíveis fraudes no governo de Edinho. A polícia Civil e o Ministério Público acreditam que Eneri possa ter sido morto por engano, no lugar do irmão. Edinho é acusado de ser o único mandante do crime e também é acusado de bolar atentados contra vereadores que eram contra ele na CPI.
A Prisão
Edinho teve sua prisão provisória decretada na noite de sexta-feira, 23 de abril de 2010, e na manhã de sábado já não foi localizado pela polícia.
Com duas prisões preventivas (por tempo indeterminado) expedidas: uma pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), que investiga os atentados aos vereadores de oposição nos anos de 2005 a 2008; e outra expedida pela Central de Investigação de Balneário Camboriú, responsável pela investigação do homicídio do portador de necessidades especiais Eneri Antônio de Souza, 59 anos, assassinado em 30 de agosto de 2008, às 15h, durante o pleito eleitoral; o ex-prefeito mantem-se foragido até o dia 11 de maio se entrega à DEIC de Florianópolis, onde fica preso.
13 de maio – atendendo determinação da juíza da Comarca de Camboriú, o ex-prefeito é trazido para a DEIC de Balneário Camboriú, onde pernoita (preso).
14 de maio – Edinho é transferido para o Cadeião de Balneário Camboriú, onde permanece até o dia 26 de outubro, quando tem liberdade provisória.
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