Tenho participado e opinado em algumas discussões, já há algum tempo, que tratam da necessidade de viabilização de uma nova matriz econômica para Balneário Camboriú, tendo em vista a estagnação do turismo, até hoje nosso principal eixo econômico. Como estudante da UDESC, entendo que a universidade pública deve ser parceira de projetos neste nível, desde que sejam desenvolvidos em consonância com os novos cursos que haverão de ser oferecidos no Campus recém criado. Mas, retomando a discussão inicial, creio que além do turismo, e da própria área de tecnologia (assim como ocorreu, no passado, em Florianópolis) poderíamos nos destacar ao articularmos nossa representação política, em suas várias facetas e correntes, em busca de um grande objetivo: tornar Balneário Camboriú uma referência na região da AMFRI no que concerne a prestação de serviços públicos, como vanguarda do primeiro setor. Este mesmo primeiro setor que no Brasil, atualmente, já é o responsável por cerca de quase 40% do PIB, e que regula todo o restante. E aí, vale lembrar que nossa região é uma das mais importantes do Estado, já tendo passado há muito tempo a marca de 500 mil habitantes, e sendo responsável por considerável parcela do PIB catarinense. E nós, cidadãos balneocamboriuenses, também devemos nos empenhar para que a Capital Catarinense do Turismo se torne efetivamente referência na área da gestão pública, conquistando a necessária preferência no momento de escolha da sede de serviços públicos de importância regional. Alguns podem estar pensando, “que guri besta, nesta área não se compara o potencial de Itajaí com qualquer outra cidade da região”. E aí volto a falar da UDESC, que já formou 7 turmas do conceito curso de Administração Pública em nosso município, e que pode contribuir, principalmente, neste processo. Dentro desta universidade podem sair os embriões de audaciosos projetos, que interfiram positivamente não somente no aspecto econômico, mas principalmente, no contexto social da cidade e que venham a beneficiar a região. Posso afirmar, sem medo de errar, que num passado não muito distante este papel que ora proponho a nossa cidade foi exercido por Itajaí, que perdeu prestígio, representação política, status de pólo regional e muito de seu capital social para a vizinha BC. E Balneário Camboriú, por sua vez, melhorou e muito o nível da administração pública municipal, e casualmente capitaneou a vinda de muitos órgãos e serviços públicos, principalmente do Estado e na área da segurança pública: batalhões, delegacias, IGP, IML. A própria UDESC, tem sua sede em Balneário Camboriú, apesar deste ser o Campus Regional da Foz do Itajaí. Porém, é chegado o momento de realizarmos uma ação planejada, ambiciosa e apartidária, para sediarmos outros importantes serviços públicos do Estado (e por que não dizer também, da União) e criarmos assim uma nova matriz econômica, voltada a área da Administração Pública. Os benefícios que resultam desta ação são inúmeros, e vão muito além da eminente empregabilidade no poder público. Além de órgãos da administração pública direta, autárquica ou da fundacional de outros entes, poderíamos também elaborar um audacioso plano para trazer para a Balneário Camboriú a sede de organizações do terceiro setor e de órgãos de representação de classe e setores produtivos. Um exemplo claro: a sede da Federação Catarinense de Futebol já está aqui, trazida de Florianópolis. Difícil? Não, falta somente vontade e articulação. Numa rápida avaliação, entendo que isto beneficiaria o comércio, a indústria da construção civil, a prefeitura municipal (com o aumento arrecadatório) e principalmente, nossa população, que teria maior acesso a serviços públicos de qualidade. Que possamos ter a maturidade necessária para construir, num futuro não muito distante, um protótipo desta proposta. E que, principalmente, saiamos do discurso para a prática. Nossa cidade precisa estrategicamente disto, em caráter de urgência.
*Leandro Rodrigues da Silva*, acadêmico do 6º período do curso de Administração Pública da UDESC de Balneário Camboriú.